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Licenciamentos de habitação na Austrália caem 3,6% em julho, para 17.687 fogos

A Austrália aprovou 17.687 novas habitações em julho, menos 3,6% do que em junho: as moradias recuaram 4,2% e os apartamentos mantiveram-se acima da tendência.

A Austrália aprovou 17.687 novas habitações em julho de 2026, uma queda de 3,6% face a junho em termos corrigidos de sazonalidade, segundo os dados divulgados a 1 de setembro pelo Australian Bureau of Statistics. A descida veio quase inteiramente da moradia unifamiliar: os licenciamentos de casas do setor privado caíram 4,2%, para 10.199, enquanto as habitações privadas excluindo casas — a categoria de apartamentos e moradias em banda — cederam apenas 0,4%, para 7.119.

As moradias arrefecem, os apartamentos não

Apesar da queda mensal, os licenciamentos privados de casas continuavam em julho 6,0% acima do mesmo mês de 2025, pelo que a descida se lê como um passo atrás a partir de um nível elevado e não como um colapso. Os apartamentos contam de novo uma história mais firme: os 4.344 licenciamentos de julho ficaram 6,8% acima da média de doze meses, e a variação mensal quase nula de 0,4% na categoria mais ampla, excluindo casas, sugere que as carteiras de densidade média estão a aguentar enquanto o segmento unifamiliar absorve custos de construção mais altos. Num mercado cujo debate político é dominado por metas de oferta, a composição dessa oferta desloca-se discretamente para a habitação em regime coletivo.

A Austrália do Sul levou o maior golpe

Os licenciamentos de casas por estado mostram que a queda não se repartiu por igual. Vitória manteve-se como a maior fonte, com 2.939 licenciamentos, à frente de Queensland com 2.239 e de Nova Gales do Sul com 2.178. A Austrália Ocidental registou 1.688 e a Austrália do Sul 817 — e foi esta última a apresentar a descida mais acentuada entre os grandes estados, de 10,7%. Nova Gales do Sul, o estado mais populoso do país, continua a aprovar menos moradias do que Vitória e Queensland, uma característica antiga das estatísticas australianas de licenciamento e não uma anomalia de julho.

Licenciar não é concluir

Os licenciamentos são um indicador avançado, e na Austrália o intervalo entre a aprovação e a casa concluída alargou-se, pelo que os 17.687 fogos de julho não passarão tão cedo a parque habitacional. É essa diferença que mantém a pressão sobre os preços. O retrato mais recente da Glopra para a Austrália coloca a média nacional em cerca de 6.500 dólares por metro quadrado, com uma rentabilidade bruta de arrendamento de 4,69% e preços 10,8% mais altos no último ano — forte valorização de capital face a um rendimento magro, o que deixa o comprador dependente da valorização e não da renda. Licenciamentos a cair com preços a subir é precisamente o padrão que sustenta essa dependência.

O que observar a seguir

O próximo teste é saber se a fraqueza das moradias se prolonga em agosto e se a carteira de apartamentos mantém o ritmo acima da média. Se as casas continuarem a cair cerca de 4% ao mês enquanto os apartamentos estabilizam, a composição da nova oferta australiana muda de forma significativa no espaço de um ano, com consequências para a dimensão e a localização do que é efetivamente construído. Quem leia os licenciamentos como sinal de preços deve pesar a variação mensal de 3,6% contra o ganho anual de 6,0% ainda registado nas casas: a série mensal é volátil e a comparação homóloga é a leitura mais estável.

Sources: Australian Bureau of Statistics, Building Approvals July 2026, 1 Sep 2026 https://www.abs.gov.au/media-centre/media-releases/total-dwelling-approvals-fall-36-july; ABS Building Approvals, Australia, July 2026 https://www.abs.gov.au/statistics/industry/building-and-construction/building-approvals-australia/latest-release

Market data: Australia