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Preços pedidos no Brasil sobem 0,53% em agosto e o ritmo anual abranda para 5,49%

O índice FipeZAP subiu 0,53% em agosto de 2026 e 5,49% em doze meses, elevando o preço médio para 9 954 R$ por metro quadrado nas 56 cidades acompanhadas.

Os preços pedidos da habitação no Brasil subiram 0,53% em agosto de 2026, depois de 0,46% em julho, e a média das 56 cidades acompanhadas pelo índice FipeZAP chegou a 9 954 R$ por metro quadrado. O avanço dos últimos doze meses abrandou para 5,49%, dos quais 3,44% acumulados desde janeiro. Dezoito das 22 capitais estaduais da amostra registaram preços mais altos ao longo do mês.

Um mês raro em que os preços bateram a deflação

Agosto ofereceu um cenário invulgar a um índice imobiliário: os preços no consumidor recuaram. A estimativa IPCA-15 caiu 0,40% e o índice grossista IGP-M caiu 0,22%. Uma subida nominal de 0,53% traduziu-se, assim, em quase um ponto percentual de valorização real em quatro semanas — precisamente o tipo de mês que embeleza o número anual sem que nada mude na procura de fundo. Olhando para 2026 no seu conjunto, a subida de 3,44% acumulada no ano continua acima da inflação no consumidor, mas a margem é bem mais estreita do que a comparação mensal sugere.

O Norte e o Nordeste estão a destacar-se

A classificação a doze meses pouco tem que ver com o eixo tradicional São Paulo–Rio. Manaus lidera com 11,42%, seguida de Salvador com 10,84% e de Vitória com 10,16% — todas cerca do dobro do ritmo nacional. Vitória encabeçou também a tabela mensal, com 1,31%, à frente de Brasília, com 1,28%, e de Aracaju, com 1,07%.

Os dois maiores mercados são os retardatários. São Paulo, ainda a cidade mais cara da amostra, com 12 143 R$ por metro quadrado, ganhou apenas 0,37% no mês e 3,63% no ano. O Rio de Janeiro, com 11 216 R$ por metro quadrado, esteve melhor nos dois indicadores: 0,77% e 5,12%. No fundo da tabela mensal estão Curitiba, com -0,25%, e Campo Grande e Belém, ambas com -0,19% — um lembrete de que quatro capitais caíram mesmo num mês que o número principal classificou como positivo.

O que estes números dizem em dólares

O retrato da Glopra para o Brasil, datado de 7 de setembro de 2026, aponta uma média nacional de 1 892 dólares por metro quadrado e uma rendibilidade bruta do arrendamento de 5,71%. A variação anual que temos registada, de 5,46%, vem da leitura de julho do FipeZAP, pelo que os 5,49% de agosto são uma atualização marginal e não uma inversão.

O número em dólares conta uma história diferente da leitura local. Medidos em dólares norte-americanos, os preços brasileiros estão a subir 12,6% em doze meses, porque o real valorizou-se perto de sete por cento face ao dólar na mesma janela. Para um comprador estrangeiro, portanto, a maior parte do retorno veio do câmbio e não do mercado. O contrapeso é a acessibilidade: o nosso rácio preço/rendimento para o Brasil é de 15,2, dos mais elevados entre os 70 mercados que acompanhamos, enquanto a nossa pontuação de risco de bolha, 49 em 100, se situa na banda moderada. Os custos de transação rondam 10,5% do preço de compra e os rendimentos de arrendamento obtidos por um não residente estão sujeitos a uma retenção na fonte fixa de 15%.

Sources: FipeZAP https://downloads.fipe.org.br/indices/fipezap/fipezap-202608-residencial-venda.pdf

Market data: Brazil