Contratos de construção nova em Chipre caíram 42% no segundo trimestre
Os promotores cipriotas assinaram 1.317 contratos de construção nova no segundo trimestre de 2026, menos 42,2%, e o valor caiu de 748,6 para 400,1 milhões de euros.
Os promotores cipriotas assinaram 1.317 contratos de habitação nova no segundo trimestre de 2026, contra 2.277 no primeiro — uma queda de 42,2%. O dinheiro recuou mais depressa do que a contagem: o valor conjunto dos contratos passou de 748,6 milhões de euros para 400,1 milhões, menos 46,6%, o que significa que os negócios efetivamente fechados foram também mais pequenos. O valor médio por contrato deslizou 7,6% para 303.808 euros e a mediana 6,3% para 224.850 euros. Os números vêm de uma análise de contratos registados da Landbank Analytics, noticiada pelo Kathimerini e publicada a 22 de agosto de 2026.
As moradias cederam o dobro do terreno dos apartamentos
Repartido por tipo de imóvel, o segmento dos apartamentos foi a metade mais estável do mercado. O seu valor médio caiu 5,5% para 262.574 euros e a mediana 7,3% para 204.000 euros. As moradias perderam 12,7% no valor médio, terminando em 501.800 euros, e 10,5% na mediana, em 340.000 euros. A diferença conta porque as moradias têm o bilhete absoluto mais alto: um corte de 12,7% sobre uma média de 500.000 euros retira mais à receita de um promotor do que 5,5% sobre uma de 260.000 euros, e atinge precisamente o segmento menos apoiado pela procura de crédito interno.
O trimestre decidiu-se no escalão dos 150.000 aos 199.999 euros
As habitações abaixo de 300.000 euros representaram 68,1% de todos os contratos, mais 5,5 pontos percentuais do que no primeiro trimestre. Dentro desse grupo, o escalão dos 150.000 aos 199.999 euros fez o trabalho pesado, subindo de 21% das transações para 24,8%. É o sinal mais claro do conjunto de dados: não foi um mercado que simplesmente parou, foi um mercado que se reorganizou em torno daquilo que os compradores conseguiam financiar.
Nicósia ganha quota enquanto a costa mantém o topo de gama
A quota de contratos de Nicósia subiu de 26,7% para 34,5%, e dois dos seus subúrbios aguentaram muito melhor do que a média nacional: Lakatamia caiu apenas 14,8% face a uma descida de 42,2% em todo o mercado, e Agios Dometios cresceu 22,6%. Na costa, o volume e o preço contam histórias diferentes. Germasogeia registou 43 transações no valor de 27,6 milhões de euros, com uma mediana de 400.000 euros, e Pegeia apresentou um valor mediano de transação de 855.000 euros. O produto costeiro caro continuou a transacionar-se; simplesmente fê-lo em números pequenos.
Como isto encaixa no mercado cipriota mais alargado
O retrato atual de Chipre na Glopra coloca a média nacional em 2.910 dólares por metro quadrado, com uma rentabilidade bruta de arrendamento de 4,88% e um crescimento anual de preços de 3,4% em moeda local. Nada nos dados de contratos do segundo trimestre contradiz esse quadro. Os valores médio e mediano por contrato caíram trimestre a trimestre, mas uma alteração do mix a favor de unidades mais baratas produz exatamente essa aritmética sem que qualquer imóvel individual tenha sido reavaliado em baixa. A leitura honesta é que Chipre teve um trimestre fraco em volume de construção nova e uma mudança nítida naquilo que se vendeu, e que o índice de preços ainda não se mexeu para confirmar ou desmentir uma correção mais ampla.
O risco que assenta por baixo destes números é a concentração. Um mercado de construção nova em que cerca de dois terços dos contratos ficam abaixo de 300.000 euros é um mercado cujo próximo trimestre é decidido sobretudo pelo custo do crédito interno e não pela procura estrangeira. Um trimestre é, além disso, uma série curta: os 2.277 contratos do primeiro trimestre foram invulgarmente fortes, e parte da queda é um efeito de comparação e não uma mudança do apetite subjacente.
Sources: Cyprus Property News (Landbank Analytics review, via Kathimerini), 22 Aug 2026 https://news.cyprus-property-buyers.com/2026/08/22/cyprus-property-market-demand-shifts/id=00173017
Market data: Cyprus