Panamá avança para eliminar o imposto de transferência de 2% sobre imóveis novos até 120.000 balboas
A assembleia panamenha aprovou o Projeto de Lei 661 por 53 votos a 5, isentando do ITBI de 2% os imóveis novos de até 120.000 balboas, com alívio escalonado acima.
O Ministério da Economia e Finanças do Panamá anunciou em 27 de agosto que o Projeto de Lei 661 passou por uma votação legislativa com 53 votos a favor, 5 contra e 1 abstenção. O texto altera a Lei 106 de 1974 e elimina o imposto de transferência de imóveis de 2% — o ITBI — na compra de moradias novas com preço de até 120.000 balboas. Como o balboa é atrelado um para um ao dólar americano, esse limite se lê diretamente como 120.000 dólares para um comprador estrangeiro.
O alívio é escalonado, não um degrau
Acima do limite, a isenção não desaparece: ela se reduz gradualmente. Para imóveis novos com preço entre 120.000 e 180.000 balboas, os primeiros 120.000 seguem isentos e apenas o saldo é tributado, com alíquotas entre 0,50% e 1,80% em vez dos 2% padrão.
A aritmética no limite é direta: 2% de 120.000 balboas são 2.400, de modo que quem compra exatamente no teto economiza esse valor por inteiro. Numa compra de 180.000 balboas, a base tributável cai para 60.000 e a alíquota para no máximo 1,80% — uma cobrança máxima de 1.080 contra 3.600 pela regra atual.
O ministro da Economia e Finanças, Felipe Chapman, apresentou a medida, que o ministério enquadra como um apoio para que famílias panamenhas alcancem a casa própria ao mesmo tempo em que estimula o setor da construção. O comunicado do ministério registra a votação, mas não publica custo fiscal estimado, número previsto de beneficiários nem data de entrada em vigor.
Dois limites que merecem leitura atenta
Primeiro, o benefício se aplica a imóveis novos. As revendas não estão cobertas, o que faz da medida tanto um instrumento de demanda para a construção quanto uma política de acessibilidade — algo coerente com a forma como o próprio ministério a descreve.
Segundo, o ITBI é apenas uma linha entre os custos de fechamento no Panamá. O arquivo da Glopra coloca os custos totais de transação do país em cerca de 8,1%, de modo que retirar um componente de 2 pontos percentuais deixa aproximadamente 6% de custo de fricção em pé. A economia é real, mas não transforma a economia de entrada de uma compra panamenha.
Onde o Panamá se situa em nossa cobertura
Registramos o Panamá em 1.666 dólares por metro quadrado no âmbito nacional, com rendimento bruto de aluguel de 6,94% e valorização anual de 6,81%. Esse rendimento fica no meio da nossa cobertura latino-americana: abaixo da República Dominicana, com 8,53%, e da Costa Rica, com 7,63%; acima do México, com 5,79%, e do Brasil, com 5,71%. O imposto efetivo padronizado sobre a renda de aluguel é de 5,8%, um dos mais leves de todo o nosso arquivo, e a paridade com o dólar elimina o risco cambial que molda os retornos na Colômbia, no Brasil ou na Argentina.
Nossa pontuação de risco de bolha é 40, na faixa moderada, embora a série de preços panamenha carregue um sinalizador de confiança Média: a cobertura nacional é mais rala do que nos mercados maiores, e a dinâmica própria da Cidade do Panamá pode divergir do número nacional.
A ressalva honesta é que um limite fixado em 120.000 balboas está bem abaixo das faixas de preço que a maioria dos compradores internacionais considera. Trata-se de política doméstica de acessibilidade, e a leitura para um investidor estrangeiro é indireta — um sinal sobre onde o governo quer direcionar o volume de construção e sobre o apetite político para usar o imposto de transferência como alavanca. Nada aqui deve ser tomado como recomendação de compra; o tratamento tributário de cada aquisição depende de residência, estrutura e do texto final da lei.
Sources: Ministerio de Economía y Finanzas de Panamá, 27 Aug 2026 https://www.mef.gob.pa/2026/08/proyecto-de-ley-661-para-facilitar-el-acceso-a-vivienda-nueva/
Market data: Panama