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Preços pedidos em Espanha caem 0,3% em agosto, a primeira descida mensal desde 2022

O preço pedido em Espanha chegou a 2.924 euros por metro quadrado em agosto, ainda 12,5% acima do ano anterior, mas a leitura mensal ficou negativa.

Os preços pedidos em Espanha situaram-se em média nos 2.924 euros por metro quadrado em agosto de 2026, mais 12,5% do que um ano antes mas menos 0,3% do que em julho — a primeira descida mensal registada pelo idealista desde o final de 2022. A taxa anual mantém Espanha em terreno de dois dígitos pelo vigésimo mês consecutivo, pelo que um mês negativo não inverte a tendência. Interrompe, porém, uma série que se mantivera intacta durante quase quatro anos.

Vinte meses a dois dígitos

A subida homóloga de 12,5% publicada a 2 de setembro prolonga uma sequência que resistiu ao encarecimento do financiamento. O que mudou em agosto foi a direção da série mensal, não o seu nível: aos 2.924 euros por metro quadrado, os vendedores continuam a pedir mais do que em qualquer momento anterior do índice. A distinção importa porque os preços pedidos mensais viram antes dos dados de transações, e agosto é um mês fraco para a oferta anunciada em Espanha, o que torna uma única leitura negativa um indício mais frágil do que parece à primeira vista.

O fosso regional está a alargar, não a fechar

O crescimento anual variou entre 17,2% na Cantábria e 16,4% em Castela-La Mancha, num extremo, e 5,1% nas Baleares e 7,0% em Madrid, no outro. Essa inversão — as regiões mais baratas a subir mais depressa enquanto as mais caras abrandam — define o atual ciclo espanhol. Os níveis de preço ainda contam a história antiga: as Baleares lideram com 5.595 euros por metro quadrado, à frente de Madrid com 5.059 euros e do País Basco com 3.784 euros, enquanto Ciudad Real continua a ser a província mais barata, com 857 euros. Toledo assinalou o maior aumento provincial, de 19,9%. Entre as grandes cidades, Sevilha subiu 11,5% e Bilbau 10,6%, ao passo que Barcelona somou 6,3% e Alicante 6,8%.

Preços pedidos face ao que os compradores pagam

Os preços pedidos situam-se acima das transações registadas, e vale a pena nomear essa diferença. A Glopra acompanha Espanha numa base transacional, a partir de dados de escrituras notariais, o que coloca a média nacional mais perto dos 2.331 dólares por metro quadrado, com uma rentabilidade bruta de arrendamento de 5,45%. O índice oficial do INE registou um crescimento anual de 12,8% no primeiro trimestre, próximo da leitura de preços pedidos do idealista. Para Barcelona, o nosso retrato da cidade aponta cerca de 6.002 dólares por metro quadrado e uma rentabilidade bruta de 7,4% — bem acima do valor nacional, impulsionada pelo mercado de arrendamento barcelonês e não por qualquer fraqueza dos preços.

O argumento nos dois sentidos

Agosto admite duas leituras. A construtiva: 12,5% de crescimento anual, preços pedidos em máximos e um défice de oferta por fechar. A cautelosa: o primeiro mês negativo em quatro anos, uma Euribor a 12 meses que ultrapassou os 3% durante agosto e um abrandamento precisamente nos mercados — Madrid, as ilhas — onde este ciclo começou. Nenhuma das leituras se decide com um único mês de dados, e o índice de setembro dirá bastante mais do que este.

Sources: idealista/news (idealista house price index, August 2026), 2 Sep 2026 https://www.idealista.com/news/inmobiliario/vivienda/2026/09/02/912069-el-precio-de-la-vivienda-acumula-20-meses-de-subidas-anuales-a-doble-digito-tras-el

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