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Comprar casa nos EUA exige 109.796 dólares por ano, mesmo abaixo do recorde do ano passado

A Redfin calcula em 109.796 dólares o rendimento necessário para uma casa média nos EUA em junho, menos 0,5% do que há um ano: os salários finalmente ultrapassaram os preços.

Um comprador precisava de um rendimento anual de 109.796 dólares para poder pagar a casa americana típica em junho de 2026, segundo os números que a Redfin publicou a 5 de agosto. É menos 0,5% do que os 110.382 dólares exigidos um ano antes — o primeiro alívio numa série que passou três anos a bater recordes, e uma melhoria medida em centenas de dólares perante uma distância que continua a ter cinco algarismos. O rendimento mediano das famílias é de 87.599 dólares. A diferença ronda os 22.000 dólares.

Mexeram-se os rendimentos, os preços não caíram

A melhoria veio do lado salarial, não do imobiliário. O rendimento mediano das famílias subiu cerca de 4% no ano, enquanto o preço mediano de venda avançou 2,2% — a primeira vez desde a pandemia em que o primeiro número supera claramente o segundo. Essa aritmética reduziu de 39,3% para 37,6% a fatia do rendimento que um comprador típico tem de destinar à habitação e elevou de 30,5% para 34,2% a proporção de anúncios que uma família média consegue efetivamente pagar.

A distância entre o rendimento exigido e o real estreitou-se de cerca de 26.000 para cerca de 22.000 dólares. O cálculo da Redfin assume uma entrada de 15%, um limite de 30% do rendimento gasto em habitação e uma taxa de crédito à habitação na casa dos 6% intermédios — pressupostos que vale a pena explicitar, porque meio ponto de variação na taxa desloca o rendimento exigido em milhares de dólares.

O degrau de entrada melhorou mais depressa

Comprar uma primeira casa exige agora 70.693 dólares, menos 1,5% em termos homólogos — três vezes o ritmo de melhoria do mercado no seu conjunto. É o número mais interessante. O stock de entrada é a parte mais apertada do mercado habitacional americano desde 2021, e uma melhoria mais rápida aí sugere que a oferta na base está a afrouxar face à procura, e não que os compradores estejam simplesmente a baixar de patamar.

Ler os números como proprietário e não como comprador

Uma aritmética de acessibilidade como esta descreve o comprador marginal, e é o comprador marginal que fixa o preço. Nos dados da Glopra para os Estados Unidos, a média nacional é de 2.454 dólares por metro quadrado com uma rentabilidade bruta de 6,71%, os preços sobem 2,0% em doze meses e o imposto efetivo sobre rendas para não residentes é de 10,66% no nosso caso padronizado — perto de 6,0% líquidos.

Um mercado em que os rendimentos crescem mais depressa do que os preços é também um mercado em que o universo de inquilinos tem mais capacidade para absorver aumentos, o que sustenta o lado da rentabilidade mesmo com a valorização a achatar. O risco corre em sentido inverso se as taxas de crédito subirem mais: o rendimento exigido é altamente sensível às taxas, e os 6,69% registados no início de agosto — máximo de onze meses — bastariam, se persistirem, para anular sozinhos um ano de ganhos salariais.

Sources: Redfin, Housing Affordability Report (5 Aug 2026) https://www.redfin.com/news/affordability-homebuying-2026/

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