As rendas prime de Lisboa subiram 7,6% no primeiro semestre de 2026, atrás apenas da Cidade do Cabo
A Savills situa em 7,6% a subida das rendas prime de Lisboa no primeiro semestre de 2026, a segunda entre 30 cidades; os preços de venda prime avançaram 3,3%.
As rendas da habitação prime em Lisboa subiram 7,6% no primeiro semestre de 2026, o segundo maior aumento entre as 30 cidades do Savills World Cities Prime Residential Index, atrás da Cidade do Cabo, com 7,9%. Os preços de venda prime na cidade subiram 3,3% nos mesmos seis meses. Os números foram divulgados pelo idealista a 8 de setembro de 2026.
Arrendar é o que os compradores fazem enquanto esperam
As rendas cresceram a mais do dobro do ritmo dos preços e a Savills Portugal atribui a diferença à procura de compra bloqueada: Rita Bueri, da empresa, descreve compradores que não encontram casa para comprar e arrendam enquanto esperam. Em junho de 2026, as rendas prime situavam-se em média nos 30 euros por metro quadrado e por mês, e os preços de venda prime nos 14.600 euros por metro quadrado. Esse nível deixa Lisboa bem abaixo de Genebra, com 26.300 euros, e de Paris, com 19.000 euros, o que ajuda a explicar por que razão a procura internacional continua a chegar mesmo com a oferta de produto prime a manter-se escassa.
O prime é uma fatia estreita da cidade
14.600 euros por metro quadrado não é o que Lisboa custa. A linha de Lisboa da Glopra, com data de 7 de setembro de 2026, coloca a média da cidade em 6.957 dólares por metro quadrado, com uma rentabilidade bruta do arrendamento de 3,76% e uma subida de preços de 5,8% em 12 meses, a partir da série de preços pedidos do idealista para a cidade. O segmento prime está, assim, a cerca do dobro do preço médio de toda a cidade. À escala nacional o quadro muda outra vez: a nossa linha de Portugal mostra 2.659 dólares por metro quadrado, com base na mediana de transações do INE para o primeiro trimestre de 2026, uma subida anual de 17,8% — a mais rápida da União Europeia — e uma rentabilidade bruta de 4,29%. Três números, três âmbitos diferentes; confundi-los é o erro mais comum na cobertura deste mercado.
O lado do risco de um ano de rendas a 7,6%
A pontuação de risco de bolha de Portugal nos nossos dados é de 84 em 100, na banda alta, com um rácio preço/rendimento de 12,8. Um mercado nacional a subir 17,8% ao ano enquanto os rendimentos não sobem é a aritmética por trás dessa pontuação; ela mede a distância percorrida face aos rendimentos e às rendas, não é uma previsão do que vem a seguir. O rendimento do arrendamento é tributado a uma taxa efetiva de 10% no caso padronizado de não residente que aplicamos, e os custos totais de transação, na compra e na venda, rondam em Portugal os 11,2% — altos para os padrões europeus e pesados o suficiente para contarem num período curto de detenção.
O que a Savills espera a seguir
A empresa prevê um crescimento das rendas prime entre 2% e 3,9% no segundo semestre de 2026, um recuo marcado face ao primeiro semestre sem entrar em terreno negativo. Se Lisboa fica dentro desse intervalo depende da mesma questão de oferta que produziu os 7,6%. Se chegarem ao mercado os empreendimentos prime concluídos, a fila de candidatos a comprador que arrendam enquanto esperam encurta e a linha das rendas segue-a em baixa. Nada nos dados do primeiro semestre resolve isso.
Sources: idealista/news (Savills World Cities Prime Residential Index H1 2026), 8 Sep 2026 https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2026/09/08/77508-lisboa-sobe-aos-primeiros-lugares-das-rendas-de-imoveis-prime; Savills, Prime Residential Index: World Cities H1 2026 https://www.savills.com/research_articles/255800/393831-0