Impostos imobiliários e custos de compra em Marrocos para compradores estrangeiros (2026)
Marrocos junta o preço de entrada mais baixo do grupo da Glopra, 7,31% de rendimento bruto e 10,3% de custos, a uma década de preços praticamente parados.
Há dois números que costumam decidir uma compra em Marrocos e que raramente aparecem juntos: um preço médio urbano de 1 351 USD por metro quadrado e um rendimento bruto de arrendamento de 7,31%. Ambos constam do retrato da Glopra de 23 de julho de 2026, elaborado segundo a metodologia v3, que atribui ainda ao mercado marroquino 16 pontos de risco de bolha — o valor mais baixo de todo o grupo de comparação — com confiança alta nos dados. É o terceiro número que muda a leitura.
Uma década sem valorização
Em dólares, os preços recuaram 4,6% em cinco anos e 4,2% nos últimos doze meses; em dez anos, o ganho acumulado é de 2,4%. O rácio preço-rendimento de 14,15 ajuda a perceber porquê: perante os salários marroquinos, a habitação já é cara, a procura interna esbarra num limite e o número de compradores estrangeiros não chega para empurrar os preços. Quem compra à espera de mais-valia está a apostar contra os dados disponíveis.
O que cabe nos 10,3% de custos de compra
A Glopra fixa o custo total da transação em 10,3% do preço. A rubrica mais pesada é o imposto de registo cobrado pelo Estado, seguida da taxa de conservação predial e de inscrição paga à ANCFCC, que é o pagamento que efetivamente inscreve o novo proprietário no título, dos honorários notariais com o respetivo IVA e da comissão de mediação, quando existe.
Num apartamento de 90 metros quadrados ao preço médio, isso corresponde a cerca de 12 500 USD antes sequer da entrega das chaves, ou seja, ano e meio de rendas brutas com um rendimento de 7,31%. As traduções certificadas e a verificação jurídica ficam fora desta percentagem e sobem bastante quando o imóvel não está registado e circula sob melkia.
Dedução de 40% e a tabela da Lei de Finanças 2025
O arrendamento habitacional beneficia de uma dedução de 40%, pelo que apenas seis em cada dez dirhams chegam ao cálculo do imposto. O remanescente entra na tabela progressiva da Lei de Finanças de 2025, isenta até 40 000 MAD de rendimento tributável e a subir por escalões até uma taxa máxima de 37%. Os não residentes são tributados pela mesma tabela dos residentes, sem qualquer agravamento — o guia de 2025 publicado em mre.gov.ma é claro nesse ponto.
Como a dedução e o escalão a zero pesam mais nas rendas modestas, a carga efetiva oscila muito. A Glopra calcula 11,3%, numa banda entre 3,12% e 14,09%. Um apartamento pequeno fica junto ao limite inferior; várias unidades arrendadas aproximam o proprietário do limite superior. Falar de uma taxa única para Marrocos não descreve caso nenhum.
Por que a taxa liberatória de 20% sai mais cara
Existe ainda a opção pela taxa liberatória de 20%, aplicada à renda bruta, sem dedução e sem acerto anual. É apresentada tantas vezes como caminho natural que muitos proprietários a julgam obrigatória. Nos dois níveis de renda modelados pela Glopra, custa mais do que a tabela progressiva, e essa diferença repete-se em cada ano de detenção.
A retenção na fonte de 10% ou 15% gera outro equívoco. Só se aplica quando o inquilino é pessoa coletiva ou tem contabilidade organizada, como uma empresa que aloja quadros, e o valor retido é deduzido ao imposto final em vez de acrescer a ele. Com um inquilino particular não há retenção alguma: a declaração e o pagamento cabem ao proprietário.
As regras fiscais mudam e este texto é informação geral, não aconselhamento fiscal — a situação concreta deve ser confirmada junto de um notário ou consultor fiscal marroquino antes de qualquer compromisso.
Fontes
Glopra
Loi de Finances 2025