Preços pedidos em Portugal ficam nos 3.207 euros por metro quadrado em agosto, com Faro a subir 18,3%
O índice de agosto do idealista coloca o preço pedido em 3.207 euros por metro quadrado, mais 7,5% num ano, e a renda pedida sobe 4,9% para 18,1 euros.
Os preços pedidos em Portugal andaram de lado em agosto e subiram com força em doze meses. A mediana nacional fechou o mês nos 3.207 euros por metro quadrado, contra 3.210 euros em julho — um erro de arredondamento na comparação mensal —, enquanto a taxa anual ficou nos 7,5%, abaixo dos 8% de um mês antes. O idealista publicou o índice de preços a 1 de setembro e o índice de rendas que o acompanha a 2 de setembro.
É o interior que está a crescer
O título esconde um país que se afasta de si próprio pela geografia. Entre as capitais de distrito, Faro lidera com 18,3% (3.908 euros por metro quadrado), seguida de Guarda com 17,6% (1.122 euros), Bragança com 17,5% (1.139 euros), Beja com 17,4% (1.533 euros) e Portalegre com 17,3% (1.242 euros). Lisboa, a cidade mais cara do país com 6.227 euros, foi a capital que menos cresceu: 3,2%. O Porto conseguiu 9,4%, nos 4.324 euros.
Por região, o Centro subiu 14,1% para 1.773 euros e o Alentejo 14% para 2.172 euros, contra 5% na área metropolitana de Lisboa, nos 4.457 euros. O distrito de Santarém registou o movimento mais acentuado a esse nível, 22,9% (1.693 euros). A única leitura negativa veio do Faial, nos Açores, com uma queda de 10,1% para 1.674 euros. O padrão é consistente: em termos percentuais, são os sítios mais baratos que valorizam mais depressa — o que acontece quando compradores expulsos do litoral começam a licitar por um stock mais pequeno no interior.
As rendas deixaram de cair
O índice de arrendamento conta uma história à parte. A renda mediana pedida chegou aos 18,1 euros por metro quadrado em agosto, mais 4,9% do que um ano antes, na segunda subida mensal consecutiva depois de seis meses de descidas ao longo do primeiro semestre de 2026. Em Lisboa as rendas estão nos 24,5 euros (+7%) e no Porto nos 18,6 euros (−6,3%). Os extremos são regionais: Viana do Castelo sobe 32,2% para 12,5 euros, Aveiro 23,8% para 14,6 euros e o Algarve 22,8% para 21,3 euros — enquanto a região Norte, no conjunto, recuou 6,3%.
Que Faro lidere ambos os índices não é coincidência. É no Algarve que os mercados de venda e de arrendamento estão a ser espremidos pelo mesmo lado, com a procura sazonal e estrangeira a competir por um parque que a construção não alargou com rapidez suficiente.
Ler os dados contra as transações
Uma cautela sobre os números: o idealista mede preços pedidos a partir dos anúncios, não negócios concluídos. A série portuguesa da própria Glopra assenta em dados nacionais de transação e mostra outro nível — 2.659 dólares por metro quadrado a nível nacional, com Lisboa nos 6.957 dólares e uma rentabilidade bruta de arrendamento de 4,29% no país, que desce para 3,76% em Lisboa. As séries de oferta e de transação divergem rotineiramente em nível e em calendário, e a diferença tende a alargar quando os vendedores demoram a ajustar. Quem compare as duas deve tratar o índice do idealista como medida do que os proprietários querem, e a série baseada no registo como medida do que os compradores pagaram.
Pela metodologia da Glopra, Portugal apresenta também uma leitura elevada de risco de bolha, e o imposto efetivo padronizado sobre rendimentos de arrendamento de não residentes é de 10% — o suficiente para aproximar uma rentabilidade bruta de 4,29% de 3,9% líquidos antes de custos.
Sources: idealista/news Portugal (idealista price index, August 2026), 1 Sep 2026 https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2026/09/01/77337-comprar-casa-em-portugal-ficou-7-5-mais-caro-em-agosto; idealista/news Portugal (rent index, August 2026), 2 Sep 2026 https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2026/09/02/77386-renda-das-casas-sobe-4-9-em-agosto-e-afasta-se-da-tendencia-de-queda