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Avaliação bancária mediana da habitação em Portugal atinge um recorde de 2 254 euros por metro quadrado

A avaliação bancária mediana da habitação em Portugal atingiu em agosto um recorde de 2 254 euros por metro quadrado, mais 14,7% do que há um ano.

A avaliação bancária mediana da habitação em Portugal atingiu 2 254 euros por metro quadrado em agosto de 2026, o valor mais alto de sempre. São mais 14,7% do que em agosto de 2025 e mais 14 euros do que em julho, um passo mensal de 0,6%. O ritmo homólogo abrandou: em julho a subida face ao ano anterior tinha sido de 15,2%, pelo que a desaceleração é de meio ponto percentual. Trata-se da série mensal de avaliação bancária do instituto nacional de estatística português, divulgada a 24 de setembro de 2026, que mede o que os peritos dos bancos atribuem a imóveis em processo de crédito à habitação, e não o que os compradores efetivamente pagaram.

Números do Instituto Nacional de Estatistica, tal como noticiados pelo ECO e pelo Dinheiro Vivo; a publicação primária não pôde ser consultada no momento da redação, porque a via de publicação do próprio instituto está fechada à leitura automatizada. Ambas as redações assinam a peça com autor próprio identificado e texto próprio, e os seus números coincidem até à casa decimal.

Os apartamentos estão a afastar-se das moradias

As duas metades do mercado movem-se a velocidades diferentes. Os apartamentos foram avaliados numa mediana de 2 655 euros por metro quadrado, mais 17,0% do que há um ano e mais 1,1% do que em julho. As moradias ficaram nos 1 610 euros por metro quadrado, uma subida de 12,6% num ano e de apenas 0,2% no mês. A diferença entre as duas é de 1 045 euros por metro quadrado, e voltou a alargar-se em agosto.

A Grande Lisboa fixa o teto e o interior fixa o chão

A Grande Lisboa regista as avaliações mais altas nos dois segmentos: 3 487 euros por metro quadrado nos apartamentos e 2 918 euros nas moradias. Face à mediana nacional, a Grande Lisboa está 51,5% acima, o Algarve 30,2% e a Península de Setúbal 25,3%. No outro extremo, o Alto Alentejo fica 54,1% abaixo da mediana do país.

De mês para mês a ordem recompõe-se. A Península de Setúbal registou a maior subida, de 1,6%, e lidera também a tabela homóloga com 20,2%. O Algarve foi a única região onde a avaliação desceu, 1,2%. Vale a pena anotá-lo, porque o Algarve é a região mais exposta à procura estrangeira, e foi essa que recuou em agosto.

Menos avaliações, sobre imóveis mais caros

Os bancos realizaram 32 650 avaliações em agosto, das quais 20 198 a apartamentos e 12 452 a moradias. São mais 3,1% do que em agosto de 2025, mas menos 1 403 do que em julho, uma quebra mensal de 4,1%. A contagem reflete a atividade no circuito do crédito à habitação, não as vendas concluídas, pelo que um único mês não deve ser lido como uma viragem nos volumes de transação.

Como isto encaixa nos nossos próprios números de Portugal

A linha de Portugal da Glopra, com data de 22 de setembro de 2026, mostra um preço pedido nacional de 3 718 dólares por metro quadrado e uma renda pedida nacional de 20,98 dólares por metro quadrado e por mês, do mesmo editor de anúncios e do mesmo mês, o que dá uma rentabilidade bruta de arrendamento de cerca de 6,8%. A tendência dos preços pedidos a doze meses é de +17,8% em euros e de +14,6% em dólares; a cinco anos os preços sobem 72,3% e a dez anos 171,6%. A nossa pontuação de bolha de 84 coloca Portugal na banda alta, a única das nossas quatro bandas de risco acima de elevada. Os custos de transação ascendem a 11,2% do preço de compra e a tributação efetiva padronizada dos rendimentos de arrendamento para não residentes é de 10%, numa amplitude de 10% a 25%. Para Lisboa em concreto, a nossa linha de cidade mostra 7 218 dólares por metro quadrado e 28,40 dólares por metro quadrado e por mês, uma rentabilidade bruta mais próxima de 4,7%, com uma pontuação de bolha de 68.

Os dois números não são a mesma medição e não devem ser postos em confronto. Uma avaliação bancária é o juízo de um perito sobre o valor da garantia, em euros, produzido dentro de um processo de crédito; o nosso número é um agregado de preços pedidos anunciados, em dólares, num portal imobiliário. Podem afastar-se por razões alheias ao mercado, a começar pela moeda. Além disso, mantemos a nossa linha de Portugal com fiabilidade baixa, que é o rótulo honesto para um par construído sobre dados de anúncios. Nada disto é um conselho de compra: é o que dizem as duas fontes, e em que divergem.

Sources: Instituto Nacional de Estatistica (INE), Avaliacao bancaria de habitacao, August 2026, released 24 September 2026, as reported by ECO (Tiago Alexandre Pereira) https://eco.sapo.pt/2026/09/24/preco-do-metro-quadrado-abranda-em-agosto-mas-atinge-novo-recorde-de-2-254-euros/; Dinheiro Vivo (Nuno Braga), 24 September 2026 https://dinheirovivo.dn.pt/economia/habitao-custa-mais-14-euros-por-metro-quadrado-em-agosto-e-fixa-novo-recorde-nacional

Market data: Portugal · Porto · Lisbon · Braga