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A renda mediana dos novos contratos de arrendamento em Portugal chegou a 10,17 euros por metro quadrado, mais 10,2%

A renda mediana dos novos contratos de arrendamento em Portugal chegou a 10,17 euros por metro quadrado no segundo trimestre, mais 10,2% do que um ano antes.

A renda mediana acordada nos novos contratos de arrendamento em Portugal chegou a 10,17 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026, mais 10,2% do que um ano antes, segundo os dados divulgados pelo instituto nacional de estatística a 29 de setembro de 2026. Trata-se de uma aceleração: a subida homóloga registada no primeiro trimestre tinha sido de 9,1%. No trimestre foram celebrados 35 407 novos contratos de arrendamento.

Quinze euros na Grande Lisboa, quatro e meio no interior

A mediana nacional é a média de dois países muito diferentes. A Grande Lisboa registou uma mediana de 15,24 euros por metro quadrado. Seguiu-se a Região Autónoma da Madeira com 12,78, depois a Península de Setúbal com 11,99, o Algarve com 11,56 e a Área Metropolitana do Porto com 10,83. No extremo oposto, Terras de Trás-os-Montes, no nordeste mais distante, registou a mediana mais baixa do país, 4,42 euros por metro quadrado.

À escala municipal a concentração é ainda mais nítida. Entre os 24 municípios com mais de 100 000 habitantes, Lisboa registou a renda mediana mais alta, 17,79 euros por metro quadrado, uma subida homóloga de 5,1%.

As subidas mais rápidas não estão onde as rendas são mais altas

Os 5,1% de Lisboa são o pormenor em que vale a pena parar, porque ficam claramente abaixo do ritmo nacional enquanto Lisboa continua a ser o município mais caro do país. As subidas homólogas mais acentuadas foram registadas noutros pontos: Alentejo Litoral com 21,6%, Terras de Trás-os-Montes com 17,6% e a Madeira com 17,4%. Entre os municípios de maior dimensão, Guimarães registou a subida mais rápida, de 20,7%.

Uma região que detém a renda mediana mais baixa de Portugal e, ao mesmo tempo, uma das três subidas homólogas mais rápidas está a descrever um mercado a recuperar de uma base muito baixa, não um mercado sobreaquecido. A mesma aritmética que torna invisível em Lisboa um aumento de um euro transforma-o num valor percentual de dois dígitos em Trás-os-Montes. Quem comparar variações percentuais regionais sem colocar os níveis ao lado vai ler mal esta tabela de forma sistemática.

Em parte do norte os contratos estão a rarear

O lado dos volumes desta divulgação aponta, em alguns pontos, no sentido contrário ao dos preços. Entre os municípios de maior dimensão, Almada registou o maior aumento de novos contratos, de 17,2%. Vários municípios de grande dimensão registaram, pelo contrário, menos novos contratos do que um ano antes, com Matosinhos a descer 14,0% e a Maia a descer 13,2%, ambos na Área Metropolitana do Porto e ambos num período em que as rendas estavam a subir a dois dígitos à escala nacional.

As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto concentraram em conjunto 45,1% de todos os novos contratos de arrendamento do trimestre.

Porque é que o nosso próprio valor de renda é mais alto, e o que isso indica

A nossa linha atual de Portugal regista uma renda de oferta de 20,98 dólares norte-americanos por metro quadrado por mês, ou seja 18,1 euros, face a um preço de oferta de 3 718 dólares por metro quadrado, ambos para agosto de 2026 e provenientes de um portal imobiliário nacional. Esses 18,1 euros ficam bastante acima dos 10,17 euros desta divulgação, e a razão não é um erro em nenhum dos dois números.

São duas as coisas que os separam. Primeiro, esta divulgação mede a renda efetivamente acordada em contratos assinados em todo o país, incluindo os municípios do interior onde a mediana não chega aos cinco euros; o nosso valor mede a renda anunciada num portal cujo stock de anúncios está enviesado para as cidades. Segundo, as rendas de oferta situam-se por construção acima das rendas contratadas, porque um anúncio é uma posição de partida.

Marcámos a nossa linha de Portugal com fiabilidade baixa por um motivo relacionado. Ao verificar as tabelas distritais do portal, o seu índice de rendas corre sobre uma amostra mais urbana do que o seu próprio índice de preços, pelo que a rentabilidade bruta calculada a partir do par fica enviesada em alta. A leitura honesta das duas fontes em conjunto é esta: o número do instituto de estatística descreve melhor o que os inquilinos estão a pagar, e o nosso descreve melhor o que os senhorios estão a pedir. A variação homóloga de preços na nossa linha é de 17,8%, a nossa pontuação de bolha é 84, na banda alta, e a taxa reduzida de 10% sobre rendimentos de arrendamento habitacional só se aplica enquanto a renda não ultrapassar os 2 300 euros mensais.

Sources: Instituto Nacional de Estatistica (INE), median rents in new lease contracts, second quarter 2026, released 29 September 2026, as reported by Observador https://observador.pt/2026/09/29/rendas-medianas-em-portugal-aceleram-para-subida-de-102-em-termos-homologos-diz-ine/; idealista, 29 September 2026 https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2026/09/29/77913-rendas-das-casas-sobem-para-recorde-mas-contratos-diferem-pelo-pais

Market data: Portugal · Porto · Lisbon · Braga