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O mercado imobiliário de Portugal em 2026: onde estão os preços, as rentabilidades e a procura

Após anos de um crescimento excecional dos preços, Portugal entra em 2026 como um dos mercados de habitação mais dinâmicos — e mais pressionados — da Europa. Aqui fica um retrato honesto e com fontes para investidores internacionais.

Portugal tem sido uma das histórias imobiliárias mais notáveis da Europa e, em 2026, o mercado continua a subir, ainda que a tensão entre a subida dos preços e a acessibilidade para os residentes nunca tenha sido tão acentuada. Para um comprador internacional que pondera o país, o quadro combina um forte impulso, oferta escassa e rentabilidades que se comprimiram à medida que os valores se adiantaram. Segue-se uma panorâmica fundamentada.

Preços: continuam a subir, continuam caros

Segundo o instituto nacional de estatística de Portugal (INE), o preço mediano das habitações familiares vendidas atingiu cerca de 2 076 €/m² ao longo de 2025, mais cerca de 16,8% do que em 2024. Os preços pedidos são ainda mais elevados. A diferença entre regiões é ampla: Lisboa mantém-se o município mais caro, em torno de 4 875 €/m² nas transações (e perto de 5 914 €/m² nos preços pedidos, segundo o idealista, novembro de 2025), enquanto a área metropolitana do Porto ronda antes os 2 305 €/m². As avaliações bancárias contaram algo semelhante: cerca de 2 025 €/m² em outubro de 2025, com um crescimento anual de aproximadamente 17,66%.

Rentabilidades: sólidas mas comprimidas

Como os preços subiram mais depressa do que as rendas nas zonas prime, as rentabilidades brutas do arrendamento de longa duração afinaram-se. O Global Property Guide colocou a média nacional perto de 4,32% no final de 2025, com Lisboa entre as mais baixas, cerca de 3,79%, e mercados periféricos como Setúbal mais próximos de 5,09%. Em suma: o investidor troca rentabilidade pelo prestígio e liquidez da capital, ou procura rentabilidade mais longe.

Procura: capital estrangeiro, turismo e oferta escassa

Os fatores são estruturais. Uma procura estrangeira e de expatriados sustentada, uma poderosa economia de turismo e de alojamento de curta duração, e anos de subconstrução criaram um desequilíbrio persistente entre oferta e procura. De notar que a via imobiliária do programa Golden Visa foi eliminada para 2026, o que remodela — mas não apaga — o apetite internacional.

Acessibilidade e os riscos a vigiar

O reverso é uma pressão real para os residentes. O estudo da OCDE de 2026 apontou a acessibilidade como um desafio central de política, e o Banco de Portugal assinalou repetidamente avaliações esticadas. Pontos de atenção: o ritmo das taxas de juro, um eventual arrefecimento da procura estrangeira, alterações regulatórias no alojamento de curta duração, e a simples questão de saber por quanto tempo se pode manter um crescimento de dois dígitos.

Todos os números aqui apresentados são estimativas retiradas de fontes públicas (INE, Global Property Guide, idealista, Banco de Portugal, OCDE, BCE) e devem ser lidos como intervalos, não como avaliações precisas; as condições locais variam de rua para rua.

This article is for information only and does not constitute legal, tax or investment advice. Before any concrete decision, always consult a local legal and tax professional.

Sources: Global Property Guide; INE Portugal; idealista.pt; Banco de Portugal; OECD; European Central Bank

Market data: Portugal · Porto · Lisbon