Procura de quartos para arrendar sobe 27% em Portugal e a oferta cai 11%
A procura de quartos para arrendar em Portugal cresceu 27% no segundo trimestre e a oferta recuou 11%; os anúncios caíram 43% no Porto e 48% em Coimbra.
A procura de quartos para arrendar em Portugal subiu 27% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026, enquanto a oferta recuou 11%. Os preços pedidos mexeram apenas 1%. Os números resultam dos dados do marketplace do idealista, publicados a 24 de agosto de 2026, e descrevem um mercado que absorve a pressão pela escassez e não pelo preço.
As cidades onde os quartos desapareceram
O valor nacional da oferta esconde contrações locais bem mais severas. Os anúncios caíram 43% no espaço de um ano no Porto e 48% em Coimbra. Ambas estão entre as maiores cidades universitárias do país e ambas as leituras foram feitas semanas antes do arranque do ano letivo, quando a procura de quartos atinge o seu pico estrutural. Uma quase redução para metade do parque disponível em Coimbra não é uma flutuação sazonal: é uma base de oferta que saiu do mercado anunciado.
Quanto custa um quarto, e onde
Lisboa apresenta a renda mediana pedida mais elevada, 550 euros por mês, seguida do Funchal com 500 euros e do Porto com 450 euros. No extremo oposto da tabela, a Guarda fica nos 210 euros e Bragança nos 220 euros, o que significa que o quarto mediano mais caro do país custa mais de duas vezes e meia o mais barato.
Os preços subiram em 13 dos 20 municípios analisados pelo idealista. Funchal e Vila Real lideraram, com 14% cada, e Beja seguiu com 12%. O pormenor mais revelador é que as maiores subidas ocorreram fora de Lisboa e do Porto: a pressão está a alastrar a mercados mais pequenos, que já partem de um parco parque de arrendamento.
Um número suave num mercado que não é suave
Rendas de quartos a subir 1% soa a calmaria perante tudo o resto que se passa na habitação portuguesa. O retrato do Glopra Market Data v3 de 24 de agosto de 2026 coloca os preços residenciais portugueses em 2.659 USD por metro quadrado, mais 17,8% num ano em euros, com uma rentabilidade bruta de arrendamento de 4,29%. A pontuação de risco de bolha está em 84, dentro da faixa elevada.
Confrontado com um crescimento de preços de 17,8%, o movimento de 1% nas rendas de quartos é a única parte do mercado de arrendamento português que não reajustou preços. A razão visível nos dados é que o ajustamento está a fazer-se em volume: os quartos não estão a ficar muito mais caros, há é muitíssimo menos quartos para arrendar.
O que o conjunto de dados consegue e não consegue mostrar
O idealista restringe a amostra a cidades com uma base de anúncios estável ao longo do período e um mínimo de 30 anúncios, o que exclui por completo os municípios mais pequenos. Os valores são preços anunciados e não contratos assinados, e o arrendamento anunciado de quartos é um segmento onde abundam os acordos informais e não publicitados — pelo que a contração real da oferta pode ser inferior a 11%, ou a variação real de preços superior a 1%, sem que os dados de anúncios permitam distinguir entre as duas hipóteses.
O que mede com fiabilidade é a direção e a gravidade relativa por cidade, e nessa base o Porto e Coimbra são onde o aperto é maior à entrada de setembro.
Sources: idealista/news Portugal (Q2 2026 room rental analysis), 24 Aug 2026 https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2026/08/24/76992-arrendar-quarto-mais-caro-pressao-da-procura-absorve-oferta-em-11